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3.2.11

Sacrossantos homens de pura fé

Quanto eu digo que a Arábia Saudita já é uma teocracia islamista, pode parecer hipérbole. Afinal, os sauditas são bons aliados americanos desde o acordo feito entre eles e Roosevelt, na volta da reunião de Yalta. Como pode um aliado ocidental ser uma teocracia islamista? E o choque de civilizações? Islamistas não deveriam ser por definição inimigos do Ocidente, como a Talibã? Aquilo sim era uma teocracia islâmica, não um reino que está virando hub comercial. Pare de exagerar.

Pois bem, vamos comparar a casa de Saud (que se confunde, repita-se, com a seita uarrabita, já que são dela, desde o princípio, os líderes temporais) com a Talibã.

A Talibã foi alvo de opóbrio mundial ao detonar os budas de Bamyan por considerá-los idolatria. Fanáticos sem respeito pela religião alheia nem pela arte que pertence à humanidade! Pois bem, a Arábia Saudita tem detonado, desde 1985, os monumentos históricos da própria Meca, islâmicos, por constituírem ofensa, não ao Islã mas à sua própria interpretação iconoclasta dele.

A Talibã ganhou uma reputação horrenda por ter posto fora da lei uma série de atividades, bem como pelas horrendas punições infligidas em criminosos. Pois bem, o código legal deles era uma cópia do código legal (baseado numa interpretação uarrabita da Sharia) saudita.

Sob a Talibã, estabelecimentos religiosos não-islâmicos eram hostilizados. Na Arábia Saudita, são proibidos. (A pena é a morte.) Rezar em público, se você não for muçulmano, também é proibido, com pena a ser decidida pelo juiz ou policial. Adeptos de escolas islâmicas não-uarrabitas podem rezar em público, mas não erigir suas próprias mesquitas nem (sob pena de chicotadas) tentar converter ninguém.

O único critério no qual a Talibã ganha é no acesso à educação por mulheres, que era proibido desde o primário sob a Talibã e é permitido em todos os níveis pela casa de Saud. Por outro lado, a Talibã não era uma monarquia hereditária multitrilionária, mas um bando de seminaristas malnutridos montados em pôneis e morrendo de frio.

3 comentários:

Pepino, o Breve disse...

Será que o Afeganistão dos Talibãs tinha um submundo gay tão rico quanto o da Arábia Saudita também?

http://www.theatlantic.com/magazine/archive/2007/05/the-kingdom-in-the-closet/5774/

tuninha disse...

cara, eu conheci algumas sauditas. fico sem saber como falar. e olha, quase concordo com a interdição do véu nas escolas. o medo de falar algo e magoar essas pessoas? e a grana delas? tênis D&G, casacos lacoste...

Tiago Thuin disse...

Existem diversas manifestações culturais que envolvem relações homoeróticas no Afeganistão. Com o país praticamente reduzido à idade média, uma "cultura gay" urbana em modles quase-ocidentais é um pouco difícil de surgir. (Com ou sem Talibã, como o prova o regime de Karzai.)