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15.2.11

Campos de concentração inseguros

Uma das coisas em que reparei ao me mudar do Rio de Janeiro para São Paulo foi que, se a paranóia sentida pela classe média nas ruas por aqui é menor, a paranóia em casa é muito maior. Curiosamente, tanto cariocas quanto paulistas de classe média "sabem" que andar nas ruas por aqui é mais seguro, o que estatisticamente é o contrário da realidade, se forem vistas estatísticas de assaltos a transeuntes em bairros de classe média. Agora, uma pesquisa feita pela PM do Paraná vem depor contra outro senso comum da classe média, principalmente a paulistana, que tenta se proteger das hordas famélicas com muros e grades. A pesquisa relata que assaltantes preferem casas com essas medidas de proteção, especialmente aquelas com muros altos que conferem a eles privacidade.

A versão de luxo disso, claro, é o condomínio fechado, seja ele vertical ou horizontal, com seguranças na porta. Ora, há muito que já se sabe que em mais da metade dos assaltos a condomínios há provas cabais do envolvimento de seguranças. Ou seja, mais uma vez, a sensação de segurança é comprada ao custo da segurança verdadeira. Sem nem falar no empobrecimento urbano que é transformar a cidade inteira num habitat natural para SS-Totenkopverbande; um prédio aqui perto combina concertina e cerca elétrica por cima de um muro de uns três metros e meio - pela lógica, já deve ter sido assaltado umas cinco vezes...

Um comentário:

Derfel Cadarn disse...

"Passeando" pelos bairros de classe média de São Paulo pelo Google Street View, é impressionante como é feia a arquitetura das casas, sempre com aquelas grades enormes, isso quando a frente da casa vista da rua não é somente o portão metálico da garagem. Nos subúrbios de classe média do Rio de Janeiro ainda se vêem aquelas casinhas de muros baixos, em São Paulo eu não sei se isso chegou a existir ou se foi completamente destruído pela paranóia urbana.