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12.1.10

Um dia sem africanos

Na Itália, a cidadezinha de Rosarno realizou o sonho dourado de todo tiozinho reaça europeu e expulsou todos os imigrantes africanos. Junto com, não duvido nada, um ou outro negro que não tivesse nada a ver com o papo, ou alguma menina que tenha exagerado no bronzeador solar.

É particularmente irônico que isso tenha acontecido numa cidade do sul da Itália; afinal, o mais importante partido explicitamente preconceituoso da Europa, a Liga Norte, foi fundada para manter do lado de fora não apenas os pretos e eslávicos da Itália, mas também o pessoal do Mezzogiorno longe do Norte. É um pouco como se a primeira cidade brasileira a expulsar todos os bolivianos (e qualquer um com olhinhos puxados) fosse uma situada na Bahia ou na Paraíba.

Também é uma evidência de como a Itália tem cada vez mais assumido a liderança no campeonato europeu de intolerância, apesar da disputa acirrada (principalmente com a Suíça). Mais do que isso, mostra como a Itália tá virando um miasma da tirania da classe média, um cyberpunk lodoso que faz a gente revisar o lugar comum que vê apenas estados paupérrimos e violentos como "failed states." A Itália, cada vez mais, caminha pra ser um "failed state" com velhos rancorosos e armadilhas de turista. Pena, tão nova...

3 comentários:

Mordechai disse...

É a prova que crescimento econômico somente não basta, sem se combater estruturas sociais corruptas.

É bom a gente ver e tomar cuidado, afinal, nós estamos crescendo mantendo uma estrutura social corrupta, o crime organizado intacto e cada vez mais poderoso, enfim, uma bela receita pra uma Itália do futuro...

Andre Kenji d disse...

Não acho que a Suíça seja particularmente intolerante. Aquele referendo sobre minaretas teria o mesmo resultado mesmo em países com tratamento razoavelmente bom de imigrantes. Mesmo no Reino Unido, França ou Suécia.

Tiago disse...

O episódio dos minaretes tá bem longe de ser o único motivo pelo qual a Suíça tá em segundo na corrida.