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8.8.04

Mais novas da velha catástrofe

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dimenstein/noticias/gd060804.htm


"Comparando os investimentos do Ministério da Educação entre 1995 e 2002, na gestão Fernando Henrique Cardoso, o estudo aponta uma diminuição de 81,45% nos valores atualizados."

A explicação, como sempre, é o superávit primário, conteção de gastos, etc. Mas no mesmo período a dívida aumentou 129%, os repasses às prefeituras e câmaras para custeio algo por volta de 240%, foram vendidas quase todas as estatais, um valor de dúzias de bilhões, depois de saneadas e a preço de banana - e o superávit só foi aparecer já em 99. FH conseguiu transcender a própria teoria; da avaliação de que os governos nacionais são irrelevantes no capitalismo tardio, partiu para trabalhar com um afinco a favor do capitalismo monopolista que este nunca havia sonhado ver. Nem com o Menem.



Outra notícia interessante de hoje vem no caderno zona norte d'O Globo. Quer dizer, na prática é só um factóide : planos da Associação Comercial de Bonsucesso, junto com a COPPE, pra elevar a linha do trem da Leopoldina, eliminando o muro - e, com ele, o "lado bom" e "lado ruim." Plano que a Supervia, como boa concessionária privatizada, acha horrível (vai que eles tenham que gastar algum dinheiro ao invés de só ganhar), e que nenhuma ôtoridade se prontificou a patrocinar, apesar de ser muito mais barato que o minimetrô. É interessante mais pela dúvida, não respondida pelo Google, sobre a natureza do sistema proposto. O Globo chama de monotrilho, mas pode muito bem ser que eles estejam chamando de monotrilho um trem elevado. A diferença é que o monotrilho interfere menos na paisagem, mas é mais caro e tem um número máximo de passageiros menor. Ora, interferir na paisagem, quando a paisagem atual é uma linha de trem de superfície, não parece um grande problema.

Claro que, no sonho, elevam (ou mesmo enterram) todas as linhas de trem, e ainda fazem um monorail em cima da Av. Brasil. E aí eu ganho um pônei.

PS - Procurando pelo monotrilho da Leopoldina, achei isso aqui, que parece interessante:
http://www.andken.blogspot.com/

Mais tarde hoje tenho que acabar o textículo sobre os rednecks.

2.8.04

Bin Laaden - Meinhof

What the porra? A Al Qaeda planeja atacar o FMI?


Depois dessa, dá pra acreditar que a "Al Qaeda" tá mais pra paranóia delirante do que pra realidade. (Paranóia ou conspiração malévola, o que preferirem). É como se eles tivessem confundido os bandidos.

E eu que achava que era só esquerdinha raivoso que confundia Che Guevara e Ozzie Bin.

Esteja bem entendido, há várias coisas diferentes que podem ser chamadas de Al Qaeda. A que não existe direito é a superorganização, ênfase em organização, terrorista, que funcionaria como uma espécie de CIA do mal.(sic) Al Qaeda como grife, Al Qaeda como organização de fomento à prática da demonstração política de alto poder explosivo, Al Qaeda como núcleo árabe dentro da Talibã, tá.

30.7.04

O mais-que-perfeitamente-ferrado

Agora o Nominimo faz uma enquete sobre o perdão da dívida dos africanos, depois que muita gente já criticou as forças de paz mandadas pro Haiti.

Até aí é normal, chauvinismo, etc. Não concordo, mas realmente, se você for um nacionalista, não tem porque ajudar os outros se tem gente passando fome no seu país. E no caso da ocupação do Haiti, a estória toda do golpe e desgolpe está meio mal contada, com todas as versões possíveis, da invasão à liberação passando pela rebelião e pela quartelada.

O que é estranho é que eu apostaria uma quantia razoavelmente alta (que eu não tenho, mas deixa pra lá) que nenhuma figura escrevente e tagarelante brasileira, exceção feita ao Olavo de Carvalho, deixa de achar o Bush o fim da picada. Et pourtant, os artigos criticando a ajuda externa são iguaizinhos aos que você vai encontrar no Cato Institute, na New Republic, e mesmo, às vezes, na Fox News e no Newsmax. Enfim, no país em que ACM é de esquerda, faz sentido. Vai ver só odeia-se o Bushinho ou a Rosinha porque eles são evangélicos e popularescos, não há o mesmo preconceito contra o Bushão ou o César Maia, apesar da semelhança.

Antes que alguém fale que a diferença é que os EUA são ricos, cabe lembrar que eles têm 40 milhões de pessoas no fome zero deles, e outros oito milhões passando fome. Não têm SUS, têm um déficit externo de 5% do PIB, e enfrentam crises de infraestrutura. Lugar pra gastar a ajuda externa que eles deixariam de gastar com pobre americano tem e sobra. Em certos estados, mais de 10% da população mora em trailers. St Louis é mais ou menos tão violenta quanto São Paulo. (O Rio, depois da escalada da estratégia de guerra da polícia, está chegando em Johannesburgo)

27.7.04

Jornalzinho de Bairro do Globo

AKA coluna do Ancelmo Gois, se esmerou. Transmitiu notícia plantada do Garotinho, sem nem se preocupar em averiguar lendo no arquivo do Globo, não precisava checar com fonte, nem nada dessas coisas que dão trabalho.

Pô, do Garotinho? Depois ele reclama que a imprensa calunia ele. Imagine se a imprensa desse um pouco menos de mole.

Eureka!

Descobri porque, afinal, o César Maia manda a guarda municipal iniciar batalhas campais pelo Centro (afinal, prefeitos normais têm mais horror a isso que a qualquer coisa no mundo). Do Globo de hoje, falando sobre empresas que se mudaram do Centro para a Barra da Tijuca:

"Nos centros comerciais da Barra, vigiados pela segurança privada, não há conflitos entre guardas municipais e camelôs."

É isso! Não acredito em teoria de conspiração, pero que las hay... - e o digníssimo imperador quer mesmo é detonar o Rio para bem da Barra.

Nada contra o povo que mora por lá, mas cada vez mais acho que se eles tivessem conseguido a emancipação lá no comecinho dos anos 90, o Rio tava melhor. Por exemplo, essa notícia da migração de empresas. Garanto que se tivesse ameaçado com perda de imposto, César mandava ajeitar o Centro rapidim rapidim. E não é como se a Barra não fosse auto-sustentável. Podia não ter grana pra fazer uma Cidade da Música, mas abaixo disso era tranquilíssimo. Melhor que o próprio Rio, relativamente falando.

25.7.04

Queda do muro

Boa notícia é tão raro que tem que apreciar, mesmo pequenininha. O Jóquei - que roubou metade da área do Jardim Botânico pra ser construído, reclamar não custa - vai trocar boa parte de seus muros por grades. A idéia é ver se as pessoas que não são sócios passam a ir lá pra assistir corrida de cavalo, coisa que aqui no Rio se faz muito menos que na maioria dos lugares. Nem é caro - o ingresso é 1R$, e a aposta mínima é igual.

Por enquanto, a única subida no faturamento do turfe foi quando fecharam os bingos. A sério, se é pra velhinho e viciado jogar dinheiro fora, ou pra bandido fazer uma lavagem monetariazinha básica, cavalos são muito mais charmosos do que aqueles bingos.

Agora se aparecesse um movimento de transformar muros em grades, e arrancar grades de prédios, ia ser perfeito.

23.7.04

Pescoços vermelhos

Ia falr sobre os rednecks, os caipira incestuosos favelados americanos, e sobre como eles substituíram os pretos nas linhas de frente, mas ninguém lê essa merda, mesmo.

:p

22.7.04

Sex in the Soçáite

Vi com a minha irmã o (penúltimo?) capítulo de Sex and the City. Um dos temas era o horror de uma delas ir morar no subúrbio.

É engraçado que logo num país como os EUA, que se orgulham de ser de classe média, e criticam o elitismo francês ou o classismo inglês, ou, como todo mundo, a elite brasileira*, possa ser feito um elogio tão rasgado ao elitismo geográfico. E o que é mais estranho, sem nenhum protesto - e olha que haja neguinho pra gostar de protesto como americano. Protesta-se de tudo, mas esse tipo de elitismo** - que não se restringe ao Sex and the City - pelo visto não indigna muita gente. Imagine um grupo de protagonistas (boazinhas) de uma novela falando sobre como a Zona Sul é mesmo o único lugar que vale a pena do Rio? Viram as vilãs peruas na hora. (Me corrijam se eu estiver errado, por favor. Não vejo novela há tempos.)

Continuando a filosofia de botequim***, isso acontece porque os EUA sublimaram a luta de classes na idéia da democracia como um grande tribunal, onde grupos distintos disputam entre si. Simbolicamente, não existe hierarquia, e portanto uns não gostarem de outros é normal, mesmo que não seja simpático - e não importa aí que sejam ricos contra pobres, multibultimegacorporações contra imigrantes - todo mundo é, nesse ponto de vista, igual. De modo que a igualdade simbólica serve até pra preservar as desigualdades.

*Isso é, quando alguém lembra desta birosca.
** Falando em elitismo, é impressão minha ou aquelas socialites novaiorquinas do S&tC se vestem que nem o estereótipo da empregadinha do Méier?
***Que, pelamordedeus, observação antropológica de alguém sentado no sofá assistindo seriado não vale nada. Ainda por cima baseada em "dados" desse tipo. Sem nem a desculpa da cervejinha, vergonha...

(A próxima filosofia de buteco também é sobre o Tio Sam)

20.7.04

Dança das cadeiras

Ué, eu achava que evangélico não gostava de dança. Mas pelo visto a Rosinha gosta, já que a solução dela pra os presídios está em trocar partes das populações de uns pelos outros.

Aposto que a gente bate o Carandiru antes do Reino do Diminutivo terminar. (Falar no próprio, virou parque : http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/arquitetura492.asp ) Afinal, a polícia "está proibida de morrer" - matar pode, à vontade. Mata mais que o exército de Israel - e depois tem gente que reclama quando a imprensa internacional "fala mal" do Rio. Se fosse assim, Ari Sharon tinha que processar todos eles. Mata mais que o quádruplo dos Carandirueiros de São Paulo, ou o triplo que a polícia de Johannesburgo, cidade que tem uma vez e meia a taxa total de assassinatos do Rio. Ou melhor, tinha, já que a poliça do coroné Bolinha tá conseguindo piorar bastante as coisas.

Pra não dizer que a culpa é só dele, um estudo feito na Grã-Bretanha, primeiro país a adotar com gosto o estilo Big Brother de policiamento, concluiu que boa iluminação e limpeza nas ruas evitam mais assaltos que as famigeradas câmeras. E hoje em dia as pedras portuguesas do Rio (assim como os ladrilhos hidráulicos, concreto quebrado e tijolinhos, do Rio Cidade) não são mais vermelhas, pretas e brancas, são todas cinza. E você pode andar por ruas de milionário como a Rui Barbosa, e entre as 6 PM e umas oito, nove da noite ver sacos de lixo amontoados, escorrendo chorume - aquela baba roxo-preta indizível que escorre de lixo acumulado e cheira meio adocicado.

18.7.04

Pretensão extra

OK, isso são umas paradas que eu escrevi faz um tempo. Como desculpa furada pr'elas serem em inglês, tenho a declarar que li Sandman demais. Se bem que pra essa desculpa valer, podia ter sido escrito em castelhano.

Amanhã voltamos à programação habitual.

Imaginary libraries

A library of slaves. Each slave has tattoos indicating what book they hold, and has to teach it to a new slave.

A library of burnished steel sheets. The sheets make noises as the wind rattles through them, and by this noise a patron has to find his, as no one with sight is allowed inside. The words are embossed upon the steel.
Why only the blind are allowed is unknown. Some think the glow of the steel would blind men; others that the get of the God of War stalk the library, padding soundless after men.

Orc libraries made of carved bones - and by ancient custom, each subject for a book needs the bones of a specific beast. Refutations must be carved into jaws, bestiaries in shoulderblades, original books in skulls.

Elf-libraries, with codexes made of spider silk, beautifully calligraphed, but never illustrated, with hoops around the spine so they can be hung on tree trunks.

Libraries made out of carefully trained and bred songbirds, who pass the songs to their offspring; each clutch holds a chapter, each book is a cage.




Titanobibliotheke - A vast, fallen building of marble and basalt. The shelves, taller than a tower, are made of ebanon. The books are scrolls, eight times the height of a man, closed in cases of whalebone and dragon's ivory. They are made of papyri and written in gold. A community of scavengers stripes the gold letters away from the papyrii. Sometimes, they will trigger one of the titanic spells - this has made them deformed, and the land around blasted, so that they have no other choice at making their livelihood than keeping to their mining.




The library of the Gods. - Downwind from the library of the Titans, sits the library of the Gods.

It's a small library. The gods don't read much. They only have uses for practical texts - for spells curing godly ills, for recipes to filters of godly love, for exorcisms and texts which teach how to turn gold into lightining. The crown of the collection are the texts stolen from the library of the Titans. Those are set in the middle, in a great pillar of levinglass. (The gods have forgotten how to read the Titanolingua. They adore the books with superstitious dread. Some fear their owners will come back from Tartarus to claim them.)

Beyond the pillar, broad avenues of marble, with many trees on their sides, radiate outwards. Pegged to the trunk of each oak tree is a bronze tablet. Those are the books, written in a close script. Longer books have oak copses to them.

The gods do not lack for space.





The library beneath the sands. -They say Genghis Khan dreamt of a world devoid of cities; where barbarian children would not perceive any boundaries, riding through the emptiness. Some say Temujin, Lord Absolute, dreamt of destroying the very mountains, of turning the world into a vast Steppe.

What they do not know is that Temujin's lover, Farrukhnaz, a Persian princess, extracted a vow from him. That if someday the children of the steppe ever wanted to return to civilization, and buld anew cities more glorious than those he razed, they would have a library ready.

This was a solemn oath. It was made by Genghis Khan at the Boundary of Heaven, and over the tomb of Khan Kaigalak. All his descendants were bound by it, world without end, even to after the Doors of Felt were forever closed and the vault of the stars fell. It forced them to build, under the sands of the Gobi desert, a great vault, vaster than any treasure-trove ever described in the thousand and one nights, and to it add everything ever written by men, and more.

The books flowed in, quick and thick as the arrow-storm of a Mongol invasion. In the first years, the cavernous walls were filled with precious ornamentation. Books inlaid with ivory and diamonds, written in fine Byzantine porphyrovellinum, comissioned from the finest calligraphers of Baghdad and Hangzhou. As the Yuan dinasty, the Golden Horde, Chagatai, all met their fates, the descendants of the Throne Absolute got poor, but they kept their vow - all books that were written were added, and more. Now common print editions were added, now note paper scribbled copies. Organization was not forgotten - the order of librarians Farruknaz created laboured on, eating of subterranean carp, drinking the waters of a still lake, serene morlocks.

A tenth of the library's shelves, steel between diorite vaults, have been filled so far.


The best hidden library. - An old beggar pushes a supermarket cart around. The beggar is Auberon, the cart holds the fine vellum scrolls wherein the souls of the fair folk are kept. Thus is Hell fooled.


The traveler's library

No one knows who the librarians are, or how they move. But a few people, those to whom travel is a mode of life, will find a library card to their name, be it on the floor of a cargo wagon on which they've hopped or next to the glass of Mumm the stewardess brought them.
Afterwards, they will start finding books. These books are most useful, or completely useless. They have one thing in common, though - they are all books about places. Travel guides, atlases, itineraries - some of them have been published by people who don't exist. These books will appear as mysteriously as the membership card, and the travelers know they can be returned by leaving them at the counter of an airport bookstore, or that of a diner off the expressway, or at the feet of the railroad guard.
Sometimes, the books will feature places that don't exist. You can travel to these, too. The price for a Lufthansa ticket to Ruritania (from Frankfurt) is 567.€.



Vagina Dentata

In an old temple to ninhursag, there is a cuneiform library. I do not know what is there, for any man who steps in the entrance has the sides of the temple close about him, crushing him to death. I have seen the librarian; she is a tall woman, her skin is white as alabaster by moonlight and the colour of burnished gold by day. One of her breasts has been cut off, and she put out my eyes.