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16.5.11

Defendendo o indefensável, depois eu paro

... dessa vez não uma pessoa, mas o neoliberalismo. Curiosamente, na mesma área, a educação, em que, no comecinho deste blog, defendi outro indefensável, o Bush. Ou melhor: não é bem o neoliberalismo, mas é uma idéia com as bases nele, e especificamente na advocacia dos vouchers educacionais substituindo as escolas públicas (que, em si, é péssima por uma pá de motivos). O programa mexicano Apoyo a la Géstion Escolar funciona assim: dá-se aos pais de alunos matriculados em escolas públicas um estipêndio de uns minguados caraminguás por aluno. Parece similar ao bolsa-família, não? Pois é, mas não é nem um pouco, e é muito menor, e complementar. É que, ao contrário do bolsa-família, que na verdade é um programa de renda mínima condicionado, este tem como receptores, não os pais como indivíduos, mas a associação de pais e mestres. Com isso mata dois coelhos com uma única caixa d'água.

1) Um dos maiores problemas da escola pública, como do serviço público em geral, é a percepção de que se está fazendo um favor ao cidadão atendido, tanto da parte deste quanto do funcionário que o atende; essa percepção é em parte uma questão cultural, mas em parte também resultado de um cálculo material quanto ao funcionamento das coisas: o cidadão atendido não tem como, a não ser muito indiretamente pelo voto (e mesmo a importância deste na elaboração de políticas públicas é questionável), alterar as condições de trabalho e recompensas do funcionário. Assim, a cobrança que teríamos numa escola paga não encontra equivalente numa escola privada. A escola não depende de servir bem à comunidade, e tem como recompensa por fazer isso apenas a satisfação do dever cumprido. A solução mais utilizada para esse problema, a imposição de metas de desempenho em testes padronizados e outros quejandos burocráticos, como metas de desempenho em geral, serve para fazer com que se preocupe em atender às metas, e não em ensinar bem, com aumento da burocracia e do estresse. (O fato de isso geralmente ser imposto como substituição, e não complementação ao salário, piora tudo, claro.) A cobrança direta, com capacidade de influência direta, pela comunidade é mais simples e mais eficaz.

2) Como já demonstrado à exaustão, o ensino que a criança recebe na escola é apenas um ingrediente, às vezes nem tão importante, do seu aprendizado. Parte dos outros fatores, como o famoso capital cultural do Bourdieu, são de certa forma incontornáveis, mas outra parte é sanável pelo estado, como representado pelo próprio bolsa-Família, que corrige a evasão pela necessidade da criança render dinheiro trabalhando e diminui a subnutrição. E dentre estes está a dedicação dos pais ao estudo dos filhos, que é incentivada ao inseri-los numa responsabilidade coletiva.

Um comentário:

tuninha disse...

coisas pequenas: uma amiga já deu aula em escola na caixa prego e ali no jardim botânico. públicas as duas escolas. no jb os pais se metiam na escola, cobravam. os filhos eram curiosos e educados. única diferença da escola particular era a grana mesmo. na caixa prego, se não levasse um tiro ao fim do dia tava no lucro. quer dizer, claro que participação de pais ajuda na equação, né?