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11.12.05

Tomara que seja factóide

Hugo Chávez gosta de factóides. Nem poderia ser de outro jeito um cara que tem que administrar a dicotomia entre ser bête noire do grande satã e dono da segunda maior rede de postos de gasolina dos EUA. Por isso, dá pra ter alguma esperança de que o gasoduto apresentado como Grande Obra durante a adesão da Venezuela ao Mercosul seja só um factóide mesmo. Ainda mais que, por mais fundos que sejam os bolsos da PDVSA, 30 bilhões de dólares (fazendo a conta-padrão pra grandes obras de infraestrutura sobre o preço anunciado) num projeto de viabilidade econômica duvidosa, ligando duas regiões produtoras ao longo de milhares de quilômetros sem consumidores, acho que só o governo americano banca, e olhe lá.

E tem que rezar pra ser só factóide. O gasoduto anunciado iria cortar a Gran Sabana, a Amazônia e o Pantanal ao meio. Três regiões a perigo, concentrando boa parte dos índios que sobraram na América do Sul, fora da área do índio-campesino andina. As obras auxiliares de infra que seria razoável associar a ele abririam, segundo estudo do Imazon, mais de 265.000Km2 de floresta à exploração pecuária, por baixo - o equivalente a dez anos de desmatamento recorde, uma área maior do que o Reino Unido. Na conta mais "otimista," com controle da aftosa e pavimentação das rodovias brasileiras, quase um milhão de quilômetros quadrados, mais do que a área da própria Venezuela.

Se é pra anunciar grandes obras simbólicas, sou mais uma "Smithsonian do Mercosul." Imagina o que não ia dar pra fazer de museu e universidade com essa grana? Se puser em Asunción, transformava o Paraguai de economia do contrabando em centro tecnológico e cultural.

2 comentários:

Marcus Pessoa disse...

O que seria de nós, leigos e desatentos ao noticiário, sem pessoas que sabem das coisas pra nos explicar esses fatos estranhos...

Roberto Imbuzeiro Moraes Felinto de Oliveira disse...

Minha admiração por você chega a doer. Mas também, às quatro e meia da manhã, trabalhando depois de um fim-de-semana em que fui para a farra ao invés de labutar, tudo me dói.