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15.2.06

Pão de Pobre II

Não chega a ser novidade que pão de pobre sempre cai com a manteiga pra baixo.

Mas é impressionante a confirmação de que, enquanto isso, o pão de rico realmente cai com a manteiga pra cima.


Mas é claro que a culpa é dos pobres; afinal, eles são inferiores, sexualmente promíscuos. Como nos informa a prefeitura de São Paulo (o texto é da Caros Amigos de dezembro):



No histórico edifício Martinelli, não muito longe da avenida Prestes Maia, um senhor corpulento, branco e de olhos pequenos, trabalha até as 11 da noite, fazendo reuniões , assinando papéis, e decidindo em grande parte a vida dos sem-teto. Orlando Almeida Filho acha qua a melhor solução para os encortiçados, favelados e sem-teto do Centro é a “pulverização” – espalhá-los em diversas habitações porque muitas famílias morando juntas leva, segundo ele, à promiscuidade sexual. “Você sabe que a promiscuidade infelizmente impera nessas pessoas de menor poder aquisitivo. Vocêdeve ter ouvido falar em vários casos de sexo de pai com filho”, diz ele, que nunca entrou em qualquer ocupação (ele chama de invasão) do MSTC. Ele complementa: “Não sei se eles não querem trabalho para ficarem nesse processo ou se eles querem ficar nesse processo e portanto não querem trabalho”.

Invasão por quê? "Se você viajar e alguém 'ocupar' a sua casa, você vai ficar feliz?, pergunta. Diferentemente da antiga gestão, que fazia a intermediação quando havia uma ordem de despejo em alguma ocupação, a fim de realizar ali projetos habitacionais, o atual secretário de habitação fala claramente: "Nós não vamos fazer nada, essas pessoas estão em prédio particular, isso não é problema da prefeitura". Mesmo assim, sem "nada a fazer", ele diz ter recebido todas as lideranças que o procuraram. "Aqui na prefeitura podem vir quantos quiserem, não tem problema. Mas, se forem na minha casa pendurar alguma coisa, toma tiro. Eu sou bom. Porque já fui campeão mundial. Na minha casa ninguém vai."

Ele não tem "a menor dúvida" de que "as pessoas vão ter que desocupar esses prédios". Sobre o Prestes Maia, é categórico: não há nenhum projeto em vista. "Essas pessoas não vão consumir, não vão ao Mappin comprar gravata, não vão ao teatro comprar ingresso, e assim por diante, e o que vamos ter na região central, uma favela nova, um cortiço novo?”



[...] Ciente da orientação do atual prefeito, o arquiteto Joel Fernando sabe que trava uma batalha perdida. Contratado em dezembro de 2003 pela antiga gestão, durante um ano elaborou com sua equipe um projeto de reforma para o Prestes Maia. Seriam 126 unidades habitacionais, variadas – quitinetes, apartamentos de um ou dois dormitórios, tendo entre 30 e 40 metros quadrados cada um. O valor de cada unidade seria de 30.000 a 32.000 reais. Haveria, ainda, salão de reunião e festas, salas de aula, uma unidade básica de saúde e estacionamento. “Fizemos o projeto à toa. Eles vão jogar no lixo”, diz. E por razões ideológicas e nada técnicas. "O projeto é viável tanto estruturalmente quanto economicamente. E, socialmente, é necessário para a recuperação da área central."

2 comentários:

Marcus Pessoa disse...

Esse cara é Secretário de Habitação do governo José Serra? Santo Deus! E tem gente que diz que o PSDB não é de direita... que coisa nojenta...

Ane Brasil disse...

caraca, esse cabra conseguiu embrulhar meu estômago.
No prestes maia tem muito trabalhador, gente que rala e que merece sim ter seu direito à habitação reconhecido.