Rio e São Paulo vão iniciar, daqui a pouco, as obras nas suas respectivas linhas de metrô, ambas de número 4. As duas serão subterrâneas (leia-se caras), e a diferença de comprimento não é tão grande - 9,9 cá contra 12,8 lá quilômetros. A diferença de custo é um pouco maior - cá 1,3 bn, lá 1,9 bn de reais
Mas em utilidade...a linha 4 de Sampa se conectará a três outras linhas de metrô, com um fluxo estimado em 960 mil passageiros por dia por suas cinco estações iniciais, que passam (além da integração) por algumas das áreas mais densas da cidade. A linha 4 Barra-Rio tem um fluxo estimado de 40 mil passageiros por dia, e mesmo este assume que as pessoas que hoje cruzam a auto-estrada Lagoa-Barra de carro vão passar a pegar o metrô numa das pontas e de lá pegar um ônibus (já que a maioria deles não está se dirigindo ao Barra Point ou, à PUC). Nem explica como será feita essa distribuição a partir das pontas, já que estas não se integram a nenhum metrô por enquanto. O que é pergunta também para a desculpa que César Maia e companhia dão para o mini-metrô - como ele vai ajudar no transporte durante o Pan? Vão pôr os atletas e turistas pra fazer duas baldeações?
Pra comparar, furando essa quantidade de túneis nas linhas 1 e 2 do metrô-Rio, dava pra completar as duas. Tráfego estimado diário a mais, algo como 500 mil passageiros.
Auferre, trucidare, rapere, falsis nominibus imperium; atque, ubi solitudinem faciunt, pacem appellant.
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16.7.04
15.7.04
Apresuntados e fogueiras
Spam já é foda. E eu recebi um que, além de atravancar a caixa de mensagens, era racista. Ou melhor, era "eu não sou racista, mas..."
Eu, pessoalmente, não sou violento, mas acho que todo racista nojento que começa o discursinho sobre a superioridade da raça branca com essas palavras tinha que tomar eletrochoque no olho, um baita bastão de beisebol (com pregos) nos dentes, e uma noite a sós com um gorila tarado.
Eu, pessoalmente, não sou violento, mas acho que todo racista nojento que começa o discursinho sobre a superioridade da raça branca com essas palavras tinha que tomar eletrochoque no olho, um baita bastão de beisebol (com pregos) nos dentes, e uma noite a sós com um gorila tarado.
Lindos números inúteis
Saiu agora o ranking internacional do Índice de Desenvolvimento Humano. Orgulho para uns, vergonha para outros, os índices mostram quão bem está o povo de um lugar. Mostram? Hoje em dia, temos uma profusão de índices para praticamente qualquer coisa. Temos índices de corrupção, machismo, liberdade de imprensa, militarismo... Só de "primos" do IDH, são uns 13. O PNUD, então, ama usá-los para análises comparativas.
Tudo besteira. Primeiro porque, apesar dos esforços do PNUD e outros no sentido de homogeneizar a metodologia, os países são quem colhe essa informação, e com métodos diferentes. Pior: com métodos que mudam com o tempo, e a idéia de manter a série antiga junto com a nova seria ótima, se não fosse que a série antiga muitas vezes é ridícula (como por exemplo o atual índice de desemprego do Brasil, a ser trocado até 2006). Isso quando não são números completamente despropositados, como o índice de urbanização brasileiro, mencionado num post abaixo. Mas mesmo quando a mudança de números reflete uma melhora na quantidade e qualidade de informação, ela invalida uma análise comparativa. E tem os números que mudam pra melhor sem uma realidade equivalente. Boa parte da melhora do IDH brasileiro de educação na década de 90 deve-se a mudanças nas contas, não nas escolas.
Não estou falando apenas dos rankings, estilo campeonato por pontos corridos. Esses servem só pra encher jornal e conversar no boteco (ou, internacionalmente, num webforum à orkut). Mas a utilização desses índices que reduzem realidades complexas a conjuntos numéricos faz pensar que são comparáveis os tais números. E muitas vezes eles falam de coisas completamente distintas. Mesmo dentro da OCDE, que faz há décadas um esforço para estabelecer números realmente comparáveis.
O mais próximo de números comparáveis mundo afora que existe são os indicadores econômicos - e mesmo esses, tratados como se fossem realidade bruta, não são lá tão confiáveis assim. Il Sorpasso foi alcançado quando a Itália aumentou a conta do mercado negro no cálculo do PIB.
Não que eu não continue gostando de olhar pras tabelinhas e gráficos e mapas, mas afinal eu gostava de jogar RPG, e eles também têm um monte de tabelas, gráficos e números representando fantasias.
Tudo besteira. Primeiro porque, apesar dos esforços do PNUD e outros no sentido de homogeneizar a metodologia, os países são quem colhe essa informação, e com métodos diferentes. Pior: com métodos que mudam com o tempo, e a idéia de manter a série antiga junto com a nova seria ótima, se não fosse que a série antiga muitas vezes é ridícula (como por exemplo o atual índice de desemprego do Brasil, a ser trocado até 2006). Isso quando não são números completamente despropositados, como o índice de urbanização brasileiro, mencionado num post abaixo. Mas mesmo quando a mudança de números reflete uma melhora na quantidade e qualidade de informação, ela invalida uma análise comparativa. E tem os números que mudam pra melhor sem uma realidade equivalente. Boa parte da melhora do IDH brasileiro de educação na década de 90 deve-se a mudanças nas contas, não nas escolas.
Não estou falando apenas dos rankings, estilo campeonato por pontos corridos. Esses servem só pra encher jornal e conversar no boteco (ou, internacionalmente, num webforum à orkut). Mas a utilização desses índices que reduzem realidades complexas a conjuntos numéricos faz pensar que são comparáveis os tais números. E muitas vezes eles falam de coisas completamente distintas. Mesmo dentro da OCDE, que faz há décadas um esforço para estabelecer números realmente comparáveis.
O mais próximo de números comparáveis mundo afora que existe são os indicadores econômicos - e mesmo esses, tratados como se fossem realidade bruta, não são lá tão confiáveis assim. Il Sorpasso foi alcançado quando a Itália aumentou a conta do mercado negro no cálculo do PIB.
Não que eu não continue gostando de olhar pras tabelinhas e gráficos e mapas, mas afinal eu gostava de jogar RPG, e eles também têm um monte de tabelas, gráficos e números representando fantasias.
14.7.04
A única idéia boa do Bush
No meio de tanto debate sobre a questão das cotas, a profusão de burrices (dos dois lados) trouxe à mente a Única Idéia Boa do Bush.
Pra situar, lembremos que A) A Ação Afirmativa nos EUA não é quota, e B) os Republicanos em geral são radicalmente contra, já há décadas. E nos EUA, ao contrário daqui, realmente existe uma cultura separada, nada de "quase brancos quase pretos de tão pobres."
Pois bem, lá como cá, a observação de que não é a "raça" o que determina as chances de uma pessoa na vida, por si mesma. É claro que influencia, através do preconceito, mas para enfrentar um mal ativo e identificado, o que vale são educação e, quando necessário, punição. Distorcer a sociedade para acomodar um preconceito é algo como tentar raspar uma quelóide para ver se ela vai embora. Os problemas que as cotas tentam resolver são outros, de condições sociais hereditárias que condenam as pessoas à pobreza e, pior, a uma educação e socialização inferiores.
Ora, lá como cá a observação vale de que estes outros problemas não são enfrentados por um garoto preto de classe média alta, mesmo que ele possa ser hostilizad num bar no Sul dos EUA ou confundido com o garçom no Brasil*. E eis a única idéia boa de Bush (ainda como governador do Texas)- estabelecer um programa de ação afirmativa, não para pretos ou hispânicos (nuestros hermanos estão, no Tejas, abaixo dos pretos na escala social), mas para os habitantes das áreas degradadas, dos guetos urbanos e rurais.
Note-se que essa "cota" continua abrindo a universidade àquelas mesmas minorias de antes, já que não creio que uma maioria dos estudantes da Maré a entrar na UFRJ vá ser loura...
PS - Só pra lembrar, o sistema da Universidade Estadual do Texas, com quinze universidades (chamadas de campi), rende mais ao estado que o petróleo, e forma mais de 350.000 pessoas por ano, da elite na UofTexas at Austin a pouco mais que escolas técnicas.
Pra situar, lembremos que A) A Ação Afirmativa nos EUA não é quota, e B) os Republicanos em geral são radicalmente contra, já há décadas. E nos EUA, ao contrário daqui, realmente existe uma cultura separada, nada de "quase brancos quase pretos de tão pobres."
Pois bem, lá como cá, a observação de que não é a "raça" o que determina as chances de uma pessoa na vida, por si mesma. É claro que influencia, através do preconceito, mas para enfrentar um mal ativo e identificado, o que vale são educação e, quando necessário, punição. Distorcer a sociedade para acomodar um preconceito é algo como tentar raspar uma quelóide para ver se ela vai embora. Os problemas que as cotas tentam resolver são outros, de condições sociais hereditárias que condenam as pessoas à pobreza e, pior, a uma educação e socialização inferiores.
Ora, lá como cá a observação vale de que estes outros problemas não são enfrentados por um garoto preto de classe média alta, mesmo que ele possa ser hostilizad num bar no Sul dos EUA ou confundido com o garçom no Brasil*. E eis a única idéia boa de Bush (ainda como governador do Texas)- estabelecer um programa de ação afirmativa, não para pretos ou hispânicos (nuestros hermanos estão, no Tejas, abaixo dos pretos na escala social), mas para os habitantes das áreas degradadas, dos guetos urbanos e rurais.
Note-se que essa "cota" continua abrindo a universidade àquelas mesmas minorias de antes, já que não creio que uma maioria dos estudantes da Maré a entrar na UFRJ vá ser loura...
PS - Só pra lembrar, o sistema da Universidade Estadual do Texas, com quinze universidades (chamadas de campi), rende mais ao estado que o petróleo, e forma mais de 350.000 pessoas por ano, da elite na UofTexas at Austin a pouco mais que escolas técnicas.
13.7.04
Demiurgos neo-xenófobos
O Jornal do Commercio cita uma palestra do presidente do BNDES em que até o abuso de uma pobre palavra como "demiurgo" foi usado, em um comovente discurso sobre a atitude do banco (maior, como repete Lessa, que o Banco Mundial, o Banco Inter-americano de Desenvolvimento, ou a CAF, e só perdendo em termos de volume de grana movimentados por "bancos de fomento" pro JBIC e pros Fundos Estruturais).
Podia ter sido mais sucinto, e falado "AmBev."
Podia ter sido mais sucinto, e falado "AmBev."
10.7.04
21 mil
Tadinho do Crivella.
Também, não deve ter o talento pra pechinchar dos outros que compraram apartamentos na Barra e casas no Itanhangá por preços de apartamento no Andaraí.
Se bem que pela lógica da Igreja dele, que diz que Deus ajuda, com dinheiro, quem lhe é devoto, isso quer dizer que o Crivella não é uma pessoa temente a Nosso Senhor Jesus Cristo, ALELUIA. Afinal, pra ter tão pouca grana, depois daquele sucesso todo com os discos, só a ira divina mesmo. Ou seja, Crivella é o candidato daqueles que não foram salvos por Jesus.
Deus está vivo, falei com ele hoje.
Update - Crivella explicou que vendeu suas ações de emissoras, mas não se lembra pra quem. Pelo menos divertido ele é. Bom, pelo menos enquanto não for prefeito.
Falando de diversão, o Estado do Rio vai multar a Barcas SA por não ter aprontado a linha Praça XV-Charitas a tempo. O detalhe é que a Barcas vem pedindo autorização ao governo para tirar as sucatas que impedem seus novos catamarãs de sair do estaleiro, sem sucesso...
Também, não deve ter o talento pra pechinchar dos outros que compraram apartamentos na Barra e casas no Itanhangá por preços de apartamento no Andaraí.
Se bem que pela lógica da Igreja dele, que diz que Deus ajuda, com dinheiro, quem lhe é devoto, isso quer dizer que o Crivella não é uma pessoa temente a Nosso Senhor Jesus Cristo, ALELUIA. Afinal, pra ter tão pouca grana, depois daquele sucesso todo com os discos, só a ira divina mesmo. Ou seja, Crivella é o candidato daqueles que não foram salvos por Jesus.
Deus está vivo, falei com ele hoje.
Update - Crivella explicou que vendeu suas ações de emissoras, mas não se lembra pra quem. Pelo menos divertido ele é. Bom, pelo menos enquanto não for prefeito.
Falando de diversão, o Estado do Rio vai multar a Barcas SA por não ter aprontado a linha Praça XV-Charitas a tempo. O detalhe é que a Barcas vem pedindo autorização ao governo para tirar as sucatas que impedem seus novos catamarãs de sair do estaleiro, sem sucesso...
Favela não é pobre
O discurso sobre as favelas continua a agir como se quem mora nelas fosse só pobre-coitado, excluído, "sem."
Bom, fora o fato de que hoje em dia, no Brasil, sem-dinheiro e sem-governo são muitos (todos aqueles que não são amigos de Marco Aurélio de Mello), o Vidigal e a Maré têm muitos indicadores sociais bem melhores que a média do município. A renda média é bem menor, mas a mediana nem tanto*. A maré tem banda larga de internet. 30% dos moradores do Cantagalo caem nas classes C1 e B.
Qual é a diferença, então, se a definição inclusive do IBGE (que ainda ressalta algo parecido com "habitação precária de taipa, alambrado ou adobe") não serve? A diferença é que a favela é "sem" estado. Enquanto do lado de fora dela vive-se nessa cidade moderna, pós-indivíduo**, numa comunidade apenas imaginária, a favela vive numa comunidade efetiva, dando razão ao eufemismo.
O que justifica, logicamente se não moralmente, a estratégia de guerra adotada pelo governo. Não se trata de combater o tráfico, mas de ocupar território inimigo. O problema dessa estratégia é, além do número estúpido de mortes que causa, ainda mais vergonhoso porque é un número racista e classista, que eu já assisti a muito filme de Vietnã, e em nenhum deles os EUA ganham. Se a idéia é acabar com as favelas, nesse sentido de corpo à parte, não será radicalizando a oposição que se conseguirá nada. Por outro lado, integrá-las numa comunidade imaginária, ausente o conflito, é algo relativamente fácil. Afinal, todos os estados modernos vêm fazendo isso há séculos. Tudo bem que alguns têm abandonado a idéia ultimamente - a favela é o sonho do multiculturalismo pregado pela política oficial canadense, por exemplo.
Por enquanto, ainda não há, que se saiba, um forte nacionalismo favelado, ou uma "consciência racial" (que acaba sendo quase a mesma coisa)***. Mas alguns anos mais tomando paulada da PM cuidam disso.
* Média - soma tudo e divide por todo mundo. Mediana - metade das pessoas está acima desse ponto, a outra metade abaixo.
** Tudo bem, no Brasil nem tanto quanto em outros países, principamente quanto no "Primeiro Mundo" ou "Ocidente."
***Apesar dos esforços daqueles que acreditam que, trocando o racismo à brasileira pela variante ianque, tudo se resolveria. Alguém um pouco mais pessimista imaginaria que a introdução mais acentuada da variante americana só faria criar um híbrido do que há de pior nas duas, e não que um racismo eliminaria o outro.
Bom, fora o fato de que hoje em dia, no Brasil, sem-dinheiro e sem-governo são muitos (todos aqueles que não são amigos de Marco Aurélio de Mello), o Vidigal e a Maré têm muitos indicadores sociais bem melhores que a média do município. A renda média é bem menor, mas a mediana nem tanto*. A maré tem banda larga de internet. 30% dos moradores do Cantagalo caem nas classes C1 e B.
Qual é a diferença, então, se a definição inclusive do IBGE (que ainda ressalta algo parecido com "habitação precária de taipa, alambrado ou adobe") não serve? A diferença é que a favela é "sem" estado. Enquanto do lado de fora dela vive-se nessa cidade moderna, pós-indivíduo**, numa comunidade apenas imaginária, a favela vive numa comunidade efetiva, dando razão ao eufemismo.
O que justifica, logicamente se não moralmente, a estratégia de guerra adotada pelo governo. Não se trata de combater o tráfico, mas de ocupar território inimigo. O problema dessa estratégia é, além do número estúpido de mortes que causa, ainda mais vergonhoso porque é un número racista e classista, que eu já assisti a muito filme de Vietnã, e em nenhum deles os EUA ganham. Se a idéia é acabar com as favelas, nesse sentido de corpo à parte, não será radicalizando a oposição que se conseguirá nada. Por outro lado, integrá-las numa comunidade imaginária, ausente o conflito, é algo relativamente fácil. Afinal, todos os estados modernos vêm fazendo isso há séculos. Tudo bem que alguns têm abandonado a idéia ultimamente - a favela é o sonho do multiculturalismo pregado pela política oficial canadense, por exemplo.
Por enquanto, ainda não há, que se saiba, um forte nacionalismo favelado, ou uma "consciência racial" (que acaba sendo quase a mesma coisa)***. Mas alguns anos mais tomando paulada da PM cuidam disso.
* Média - soma tudo e divide por todo mundo. Mediana - metade das pessoas está acima desse ponto, a outra metade abaixo.
** Tudo bem, no Brasil nem tanto quanto em outros países, principamente quanto no "Primeiro Mundo" ou "Ocidente."
***Apesar dos esforços daqueles que acreditam que, trocando o racismo à brasileira pela variante ianque, tudo se resolveria. Alguém um pouco mais pessimista imaginaria que a introdução mais acentuada da variante americana só faria criar um híbrido do que há de pior nas duas, e não que um racismo eliminaria o outro.
Pra variar um pouco
Lula falando pras pessoas não se endividarem no cartão de crédito.
NÃO DIGA.
Vem cá, se a declaração fosse acompanhada do anúncio da criação de aulas de Home Economics 101 nas escolas públicas nacionais, ainda fazia um pouco de sentido. Isso porque as pessoas tendem a achar que administrar a própria casa é uma questão de bom senso e vagamente relacionado à moral. P... nenhuma. Sem nem entrar no quanto de construído que tem na noção de moral, saber poupar é algo que se aprende, sim. Se não em casa - e, graças à explosão populacional ou a vir de uma cultura que não enfatiza os mesmos valores que esta cultura monetarista-puritana-burguesa que domina o mundo, muitos, talvez a maioria, não aprende em casa - que seja na escola.
Por falar nisso, podia ter um pouco mais ênfase em educação rural nesse país. Inclusive ensinar a plantar, que o vivente nñao aprende a plantar só porque a família é de lavradores desde antes do Cabral, técnicas de plantio, mesmo sem máquinas, também são tecnologia, conhecimento transmitido, e fazem uma diferença enorme. Afinal, o "Brasil Urbano" é uma ficção do Estado Novo, que declarou urbano quem morasse em sede de município (cidade) ou sede de distrito (vila). Se fosse contar por um critério mais razoável, de 6.000 cidades e 18 mil vilas, passaríamos a umas 600 e 1800, respectivamente. Se bem que o número ainda parece grande, mesmo contando municípios dentro de áreas metropolitanas (eg Nova Iguaçú) como "cidades." 70 milhões de brasileiros vivem no campo.
O que leva a outra crítica ao governo federal - falaram em equipar "todas as cidades do Brasil" com biblioteca, criticando o número restrito de municípios providos delas. Nada contra bibliotecas aos montes, mas gastavam melhor o dinheiro se soubessem que a maior parte das "cidades" onde pretendem construir bilbiotecas são lugarejos, e não se serve a uma área rural do mesmo jeito que à cidade.
Falando de bibliotecas em cidades, dói o coração ver a Biblioteca do Estado na Presidente Vargas. Tem cara de biblioteca escolar, e de escola pobre, não de biblioteca central e oficial de um estado do tamanho de Portugal. Taí algo pro César Maia pôr no Píer Mauá, já que pretende por força fazer algo dos croquis de Jean Nouvel para o lugar.
Por outro lado, um píer é tão pouco indicado para livros quanto para obras de arte. Melhor a Presidente Vargas, mesmo. Espaço é que não falta.
NÃO DIGA.
Vem cá, se a declaração fosse acompanhada do anúncio da criação de aulas de Home Economics 101 nas escolas públicas nacionais, ainda fazia um pouco de sentido. Isso porque as pessoas tendem a achar que administrar a própria casa é uma questão de bom senso e vagamente relacionado à moral. P... nenhuma. Sem nem entrar no quanto de construído que tem na noção de moral, saber poupar é algo que se aprende, sim. Se não em casa - e, graças à explosão populacional ou a vir de uma cultura que não enfatiza os mesmos valores que esta cultura monetarista-puritana-burguesa que domina o mundo, muitos, talvez a maioria, não aprende em casa - que seja na escola.
Por falar nisso, podia ter um pouco mais ênfase em educação rural nesse país. Inclusive ensinar a plantar, que o vivente nñao aprende a plantar só porque a família é de lavradores desde antes do Cabral, técnicas de plantio, mesmo sem máquinas, também são tecnologia, conhecimento transmitido, e fazem uma diferença enorme. Afinal, o "Brasil Urbano" é uma ficção do Estado Novo, que declarou urbano quem morasse em sede de município (cidade) ou sede de distrito (vila). Se fosse contar por um critério mais razoável, de 6.000 cidades e 18 mil vilas, passaríamos a umas 600 e 1800, respectivamente. Se bem que o número ainda parece grande, mesmo contando municípios dentro de áreas metropolitanas (eg Nova Iguaçú) como "cidades." 70 milhões de brasileiros vivem no campo.
O que leva a outra crítica ao governo federal - falaram em equipar "todas as cidades do Brasil" com biblioteca, criticando o número restrito de municípios providos delas. Nada contra bibliotecas aos montes, mas gastavam melhor o dinheiro se soubessem que a maior parte das "cidades" onde pretendem construir bilbiotecas são lugarejos, e não se serve a uma área rural do mesmo jeito que à cidade.
Falando de bibliotecas em cidades, dói o coração ver a Biblioteca do Estado na Presidente Vargas. Tem cara de biblioteca escolar, e de escola pobre, não de biblioteca central e oficial de um estado do tamanho de Portugal. Taí algo pro César Maia pôr no Píer Mauá, já que pretende por força fazer algo dos croquis de Jean Nouvel para o lugar.
Por outro lado, um píer é tão pouco indicado para livros quanto para obras de arte. Melhor a Presidente Vargas, mesmo. Espaço é que não falta.
5.7.04
Turismo no Rio
Rio, cidade turística...mómenos, já que a razão primária de visitas ao Rio é para negócios, incluindo convenções, feiras e afins. Uns 75% dos visitantes.
Também, não só os governantes mas também a indústria turística brasileira acham que o grande museu da cidade é a casa do papai Vargas (coisa que, a rigor, nem museu é, além de ser cafona pra cacete), enquanto se esquecem do Museu Nacional - que é o único museu do Brasil, com a possível exceção do MASP, que em termos de acervo não faz feio numa comparação internacional. E quem quer praia vai prum ecoresort, e pra ser balneário urbano não dá, enquanto o Rio for uma cidade perigosa à noite. Que balneário urbano quer dizer vida noturna, coisa que tanto César quanto Garotinho pelo visto odeiam.
Vai fazer turismo de quê? Viajar 32 horas pra subir no Pão de Açúcar? Tem doido que faz isso, mas não tanto assim. Sobra o turismo sexual propriamente dito. Esse parece que vai de vento em popa, com direito a propaganda paga pela prefeitura.
Também, não só os governantes mas também a indústria turística brasileira acham que o grande museu da cidade é a casa do papai Vargas (coisa que, a rigor, nem museu é, além de ser cafona pra cacete), enquanto se esquecem do Museu Nacional - que é o único museu do Brasil, com a possível exceção do MASP, que em termos de acervo não faz feio numa comparação internacional. E quem quer praia vai prum ecoresort, e pra ser balneário urbano não dá, enquanto o Rio for uma cidade perigosa à noite. Que balneário urbano quer dizer vida noturna, coisa que tanto César quanto Garotinho pelo visto odeiam.
Vai fazer turismo de quê? Viajar 32 horas pra subir no Pão de Açúcar? Tem doido que faz isso, mas não tanto assim. Sobra o turismo sexual propriamente dito. Esse parece que vai de vento em popa, com direito a propaganda paga pela prefeitura.
Estados da Guanabara
Eu quase queria que o Crivella ganhasse no primeiro turno, só pra ver se assim as pessoas paravam de dizer que a culpa da Rosinha é do interior, e que se fosse Estado da Guanabara, nós, ricos esclarecidos e inteligentes votaríamos em candidatos probos, esclarecidos e seculares.
Arrã. Como o demonstram nossos prefeitos, imagino. Ou a Gaiola de Ouro.
O pior dos "movimentos guanabarinos" é um que ainda exige uma Guanabara feita do Rio, Niterói, Itaguaí e Angra dos Reis. Pelo menos é escancarado no elitismo, que nem o túnel Rebouças, que abriu sendo proibido aos ônibus.
Arrã. Como o demonstram nossos prefeitos, imagino. Ou a Gaiola de Ouro.
O pior dos "movimentos guanabarinos" é um que ainda exige uma Guanabara feita do Rio, Niterói, Itaguaí e Angra dos Reis. Pelo menos é escancarado no elitismo, que nem o túnel Rebouças, que abriu sendo proibido aos ônibus.
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