Pesquisar este blog

10.9.09

Rodízio só de massa

O Instituto Estadual do Meio Ambiente do Rio, INEA, avisou que estuda fazer um rodízio de indústrias em Caxias. A notícia é meio estranha pelo fato de escolher Caxias; apesar da fama, o município não é o que mais sofre com poluição no estado, e olha que o estudo do IBGE foi feito antes da inauguração de uma siderúrgica gigante na Zona Oeste, e vários novos terminais de minério em Itaguaí.

O rodízio, como estratégia pra controlar a poluição, é tão imbecil quanto o rodízio de automóveis em São Paulo. Afeta indiretamente, e portanto de maneira difícil de controlar, o universo a ser modificado. Assim, em SP o rodízio provocou transtornos a empresas e pessoas de classe média e baixa, fez com que a classe alta passasse a comprar apartamentos de seis vagas na garagem (incentivando o megacondomínio), e no trânsito...fez diferença não. Aliás, como fica essa alegação de problemas em Caxias que teriam que ser resolvidos por uma medida alucinada dessas, em relação à autorização dada pelo próprio INEA, em tempo recorde, para a Thyssen-Krupp fazer uma megasiderúrgica no lugar que já era o mais poluído do estado?

A solução em ambos os casos é bem mais simples:

Em Caxias (ou outros lugares poluídos, incluindo São Paulo): imponha-se um teto de poluição. Quem quiser poluir mais do que esse teto paga. O teto baixa todo ano. Créditos podem ser negociados livremente entre as empresas.

Em São Paulo (e outros lugares poluídos e com problema de trânsito, incluindo Caxias): imponha-se pedágio urbano para circular na área interna da cidade. Qualquer carro que saia da garagem dentro da zona central, ou adentre a zona central, paga tantos reais por dia. (Em Londres, uns 30 se bem me alembro.)

2 comentários:

nenhum disse...

Não vejo como o pedágio urbano nos moldes de Londres funcionaria em SP. Isso só incentivaria ainda mais o crescimento do subúrbios, em especial Alphaville, que gera um gargalo criminoso na Castello Branco, a principal via de saída da cidade pela parte Oeste.

Tiago disse...

Se essas pessoas trabalhassem em São Paulo, teriam que pagar pedágio urbano todo dia (ou pegar ônibus ou trem).

Se você tá falando de aumentar a oferta de emprego num pólo secundário, bem, isso não é problema, é solução.

Win-win. Aliás, o pedágio urbano é muito win-win. Se não diminuir o trânsito, gera renda pra prefeitura (de preferência, renda destinada diretamente ao transporte público).