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28.9.09

Monorail! Monorail!

A última brincadeira de transporte urbano em São Paulo é anunciar que as linhas de metrô adicionais planejadas serão de monotrilho, ao invés de metrô tradicional. O problema é que, bem monotrilho é uma porcaria.

Melhor dizendo: monotrilhos têm a vantagem de ocupar pouco espaço, comparado com um trem tradicional. Mas têm a desvantagem óbvia em compensação: transportam mais ou menos a metade do volume de passageiros (considerando-se o volume máximo a ser transportado). Numa cidade com mais de vinte milhões de pessoas, em que o metrô tradicional já está abarrotado, sugerir linhas de monotrilho como linhas de metrô é no mínimo temerário, pra não dizer ridículo.

A capacidade de transporte do monotrilho é a mesma do bonde (sobre pneus ou rodas de ferro); o único motivo pelo qual se escolheria ele no lugar do bonde seria caso se queira fazer uma linha ao longo de uma linha urbana, sem tirar área de rua. Mas ele é um serviço pra cidades de médio porte, ou em grandes cidades um serviço alimentador da linha principal de transporte.

Usar o bonde sobre pneus (ou corredores de ônibus dedicados) como linha principal se justifica como gambiarra, utilizando a oferta de linhas estruturais rodoviárias nas grandes cidades brasileiras, enquanto não se arruma grana pra fazer a linha de trem de verdade. Fazer uma desapropriação e viadutos para monotrilho, afundando uma grana em algo que depois não pode ser convertido, é mais caro, tem exatamente o mesmo efeito, e mais difícil de desfazer - diminuindo, portanto, as perspectivas de eventualmente se ter naquela rota uma linha-tronco de verdade.


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Capacidade máxima segura, em pessoas por direção por hora, de sistemas de transporte:

Trem (bitola 1,6 - como os metrôs e trens de subúrbio atuais do Rio e SP): 81.000 (com trens compridos; com trens curtos como os usados no metrô daqui, cai pra 60.000)
Trem (bitola 1 como a linha 5-SP, ou monotrilho): 33.000
Bonde ou corredor de ônibus segregado, com estações (fura fila): 29.000
Bonde não segregado, ou corredor de ônibus semisegregado: 18.000
Ônibus no meio do trânsito: 6.000
Uma faixa de carros de passageiros: 1.500


As linhas de metrô e trem dos sistemas mais completos, como Paris e Londres, só lidam com uns 30,000 pphd, mas isso é porque o sistema, em rede, distribui todo mundo. Isso é uma situação ideal, até porque assim uma pane não para o sistema todo, como ocorreu quando um trem da linha 1 do metrô-SP pegou fogo este fim de semana - mas não consta que a idéia seja construir, simultaneamente, umas 15 linhas de monotrilho.

2 comentários:

nenhum disse...

Bondes são caros e deram errado em vários lugares. Portland no Oregon gastou uns dois bilhões com a brincadeira em vinte anos, em Monterrey no Mexico também não parece ter dado certo.

E São Paulo precisa de metrô. Tem rua em que apenas o tráfego dos ônibus já congestiona a rua.

Samuel disse...

ola, gostei de seu ponto de vista, mas onde vc fez o calculo de passageiros por hr??

o metro de sao paulo linha 1 pode transportar ate mais de 100k passageiros por hr, o head no horario de pico eh de 60seg, cada trem tem a capacidade de 2k pessoas.

segundo a audiencia publica (ou seja o que vai ser implantado) os monotrilhos terao uma capacidade de 1k, se vc tem um head de 75seg que eh o que foi proposto serao 48k pass/hr/sentido

e vc deve observar como esta sendo implantado esse sistema, ele vai ser a extensao da linha 2 verde, ou seja, vai jogar os usuarios em trens maiores quando chegar na area de maior demanda, a partir da vila prudente, a linha 17 - aeroporto - futura estaçao morumbi intermodal (cptm, metro e emtu corredor abd) e outras linhas secundarias, como a linha jardim angela, a brasilandia, cachoeirinha entre outras, acredito que vai ser um fudurncio nas linhas de metro de 2k principalmente em horario de pico, mas nao nos monotrilhos.