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6.6.06

Honestidade

O governo Bush, na pessoa de seu ministro da justiça, se referiu à convenção de Genebra como um documento pitoresco (como ninguém na oposição comparou isso com o "pedaço de papel" da neutralidade belga durante a Primeira Guerra é algo que eu não entendo). Criou um sistema global de campos de concentração secretos onde prisioneiros são maltratados, e sua resposta ao relatório da Anistia Internacional sobre o sistema foi reclamar da palavra GULAG ter sido usada. Imagino que só pela referência ao comunismo. Do mesmo modo, ficou evidentemente preocupado, em Abu Ghraib, com as falhas de segurança, não com a tortura sistemática - e se você acha que um bando de soldados chucros inventou do nada as mesmas técnicas de tortura desenvolvidas pelos boinas verdes e SAS, com direito a se restringir quanto à porrada propriamente dita, tenho um belo terreno na lua pra lhe vender.

Depois dessa performance, que deixa pra trás de longe o funcionamento habitual de uma grande potência, a notícia de agora não deixa de ser refrescante, em sua honestidade. Segundo o Los Angeles Times, o Pentágono pretende remover do manual de campo do exército a referência ao artigo terceiro da Convenção de Genebra. Sabe, aquele que proíbe a tortura de prisioneiros de guerra.

Pelo menos assim os "combatentes inimigos" de Guantánamo vão poder ganhar algum status legal. É um status que agora vale menos do que "favelado brasileiro," mas é alguma coisa. Pros cidadãos americanos, a coisa é um pouco mais preocupante. Isso porque o congresso, via o (veterano de guerra torturado) McCain, tentou tornar a tortura ilegal. O executivo americano está, mais uma vez, no caso através de uma "declaração de assinatura," outras por ordem executiva ou simplesmente através da execução comme si de rien n'était, se recusando a obedecer legislação explícita passada pelo Congresso, ou resoluções da suprema corte também explícitas. Preciso soletrar o que isso significa pros famosos checks and balances da democracia americana?

Um comentário:

Andr? Kenji disse...

Isso sem contar a quinta e a sexta emenda da Constituição.