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23.7.09

Top Secret

A mais nova alegação do Nelson Jobim pra compra sem licitação e superfaturada de submarinos franceses é que a Odebrecht e a estatal francesa DCN é que a falta de licitação se deveu à necessidade de sigilo do projeto. Sigilo. O hômi só faltou bater bumbo. Aliás, tem um mapa razoavelmente detalhado da futura base de submarinos de Sepetiba no número de Julho da revista Portos e Navios. Que, diga-se de passagem, ficaria na mesma área da expansão prevista para o Porto de Itaguaí, e muito mais próxima de olhares curiosos.

Não sou engenheiro naval, muito menos especialista em submarinos. Mas alguns dos outros argumentos (noves fora a própria profusão deles) alegados pela Marinha parecem suspeitos. Um deles é de que o Arsenal de Marinha não comportaria uma obra do porte de um submarino nuclear. Ora, o dique seco do Arsenal de Marinha tem 230x38x14m. O submarino francês nuclear de ataque Barracuda (que não tem nada a ver com o Scorpène, projeto franco-espanhol destinado à exportação para o terceiro mundo) tem 100x8x7m. O Schuka russo, o maior submarino de ataque nuclear do mundo, tem 112x13,5x9,6m. O maior submarino do mundo, o SSBN* Akula, tem 175x23x12m.

A Marinha também alega que a base de Sepetiba é prevista desde 93, e portanto não foi uma inflação de custos do consórcio DCN-Odebrecht. Ora, quem tinha alegado que a base (e o custo dela) eram imposição dos franceses foi o Nelson Jobim. Nas suas palavras, Nós não temos nada a ver com isso. Compramos um pacote pronto. O fato de a França colocar as obras em mãos da Odebrecht tem a ver com um acordo de parceria realizado entre eles

Outro argumento é de que os alemães concorrentes não estariam dispostos a transferir tecnologia. O problema é que eles já fazem isso; só o primeiro dos submarinos vendidos pela HDW ao Brasil foi construído na Alemanha, e eles são orgulhosamente apresentados como exemplo de uma estratégia de "atingir o domínio completo da tríade PROJETO, CONSTRUÇÃO e REPARAÇÃO."

Ah sim. A DCN pelo visto é useira e vezeira.

L'affaire DCN concerne la mise en cause des pratiques de corruption, d'atteintes à la vie privée et d'espionnage, de déstabilisation de ses concurrents mis en place par cette entreprise (possédée à 75 pour cent par l'État) pour obtenir des marchés à l'extérieur[1].

Como o Nelson Jobim, aliás.

Pelo menos no caso da Força Aérea a licitação já está aí há tempos. Mas o Sarkozy não deixou de encher de mimos os parlamentares brasileiros que possam ter alguma influência. Milton Temer, sem nenhuma vergonha, disse que se deixar paparicar no Lutetia por uma empresa interessada numa licitação é um "lobby saudável."

*SSBN quer dizer "perdeu preibói." São os submarinos de mísseis balísticos que ficam passeando por aí, esperando a ordem pra acabar com o mundo. (Um Akula, que é o Outubro Vermelho do filme, carrega 200 ogivas cada uma 10 vezes maior do que a bomba de hiroshima.) Aliás, a única função de um submarino nuclear de ataque como o que o Brasil quer fazer é caçar os SSBNs; pra qualquer outra coisa um submarino convencional é melhor.


PS só eu acho esquisito um desfile militar imperialesco no 14 de Julho? Ainda se fosse no 18 de Brumário...

2 comentários:

Mosca 1 disse...

A ODebrecht tem negócios "exóticos" com quase todos os Ministérios, por que não teria com a Defesa...

Alex disse...

Monstruoso....
e corriqueiro.
:-((