Pesquisar este blog

25.8.04

A pátria de bujarronas

As Olimpíadas, que ninguém agüenta* mais, são uma mina de ouro de fatos irrelevantes, schadenfreude**, e filosofia de botequim. Às vezes os três juntos.


O Brasil, como sempre, ganha medalha no vôlei, na vela, e uns trocados no judô. Qualquer outra coisa é sorte. Enquanto isso, a Romênia (população e economia de Minas Gerais), o Marrocos (idem), o Quênia (ibidem), e a Etiópia (bem maior, mas pobre que só ela) se dão bem. Tá, tem a distorção causada pelas regras olímpicas - esporte de equipe tem mata-mata, e menos medalhas no geral, e no Brasil a escola privilegia o esporte de equipe mais do que o "track," o atletismo, como na Austrália (população dois terços de São Paulo, economia um pouquinho maior, uma caralhada de medalhas). O motivo não é só a corrupção do esporte no Brasil, embora ela ajude. É porque, fora o momento quadrianual de ufanismo, ninguém aqui liga pra nenhum esporte que não seja futebol, mesmo. Não dá pra ter uma infraestrutura decente se ninguém leva a sério, e se a grana pro esporte vem de cima, não vai ter pressão pra que ela seja bem empregada. A vela se garante mesmo assim porque no resto do mundo também é um esporte restrito.

Aliás, é uma puta grana, a do COB. Garanto que bem mais do que ganha a galera de Cuba, Etiópia e companhia.

Eu disse futebol? Desculpas, eu queria dizer futebol masculino. Que esporte de mulher não é esporte de verdade - machismo revelado não só no descaso pela Seleção, como quando comentaristas falam da beleza das atletas. Vem cá, não é que eu nunca tenha comentado sobre jogadora de vôlei bonita, mas na TV?? Por acaso alguém fica narrando jogo do Brasil e falando sobre como o Ronaldinho Moby Dick é gato? Mas claro, esporte feminino não é esporte de verdade, então é pra olhar umas gostosas na tela. "Umas peitudas," como diria meu primo.

Esporte e racismo - a quantidade de judeu nas seleções brasileiras de vôlei ajuda como metáfora da imbecilidade do racismo desportivo, que é aceito como verdade por tanta gente, ao ponto d'um idiota escrever uma tese de doutorado sobre como negros correm melhor. Quer dizer, atendo-se aos pontos realmente pesquisados da tese, e não à carga racista que o pesquisador, ou seu editor, colocaram, ele só diz que um determinado gene, mais comum na população negra americana que no resto da população americana, talvez influencie o resultado de corridas rápidas em um por cento. E é interessante ver como, falando no assunto, a maioria dos atletas do atletismo no Brasil é negra - fruto das vilas olímpicas que são construídas em favelas, enquanto os outros esportes ainda vêm da escola e do clube?

Os EUA parece que herdaram o manto da "guerra química" da Alemanha Oriental. Mas a deformação física é evidente em quase todos os esportes, à parte os de equipe. Aliás, nos mais extremos, você pode, com raras exceções, adivinhar quem são os atletas de federações mais pobres, menos preparados, porque são os com corpo mais normais. A ginástica olímpica, por exemplo, é Tolkien puro. Os homens são anões (raspados), e as mulheres são hobbits (não mulheres hobbits, homens hobbits). O povo do atletismo americano tem músculo até no nariz. As corridas de velocidade e o halterofilismo têm dois momentos, o da prova atlética e o da eliminação dos dopados. Os nadadores têm pé 50 e muitos e mãos mais compridas que o antebraço. Pelo visto vai longe o "mens sana in corpore sano."

O outro ideal dos Jogos, o "congraçamento universal," também ficou de fora, a não ser que "congraçamento" seja sinônimo de "competição." Tudo bem, os jogos sempre tiveram o seu lado fascista (e o Barão de Coubertin*** era machista e racista também), afinal quem inventou a pira olímpica foi a Leni Riefenstahl. Mas hoje em dia eles exageram. Levando a sério, como os EUA, que não foram às olimpíadas da Rússia e investem alto pra não ser "losers," inclusive no suborno de juízes, ou na babaquarice como o Brasil ufanista e desmedalhado, todos insistem em torcer pelo país, até quando o esforço é individual. Deviam pôr todo mundo pra competir de branco, branco e vermelho no caso dos esportes de equipe.

Dá pra ver que as saltadoras com vara não treinam com aquele sunkíni, pela linha de bronzeado nas coxas. A pergunta é se o sunkíni ajuda na aerodinâmica ou na telegenia. Tudo bem que eu sou ranzinza, mas os Jogos tão me deixando mais convicto que nunca do machismo, fascismo, e ridículo do mundo. Falar em ridículo, eu perdoaria todos os crimes do comunismo, se não existisse a ginástica rítmica, e todos os do capitalismo, se não fosse o nado sincronizado. Espero que Esther Williams e Stalin tejam sofrendo bastante no inferno.

Esportes que eu eliminaria : Softball, baseball Pingue Pongue, Qualquer Coisa com "sincronizado" no nome, dressage, pistola de ar, ginástica rítmica, rebolada atlética (aka marcha). Baseball, softball, e ciclismo têm o agravante de que precisam de estádios próprios.

Os nomes romenos são maneiros. Catalina Ponor. Acho que se eu tiver uma filha, vou chamar de Catalina Ponor. E aí ser morto pela minha mulher, a não ser que eu arranje uma doida. Se for menino, Marian Dragulescu. Fora o pescocinho de touro, a própria Catalina Ponor é bonita, aliás. Tanto quanto a giganta freak de um metro e 65 Svetlana Rorkina.

*Me recuso a escrever aguenta.
**Rir da desgraça alheia. No caso, o alheio é o que resta da civilização ocidental. Aliás, o idioma alemão também tá na mira de uns reformadores ortográficos. Cadê o Maurice Druon pra salvar o mundo dessa corja?
***Inventor dos Jogos Olímpicos modernos. Que têm assim tanta coisa a ver com o festival de Zeus Olímpico, quanto "O Clone" com a cultura marroquina.

Nenhum comentário: